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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Direito de Arena

 

          Interpretações distintas sobre a porcentagem de recolhimento de direitos de arena geraram escalada de processos de jogadores contra clubes brasileiros. Os quatro grandes de São Paulo são réus de dezenas de processos milionários na Justiça relacionados a direito de arena.
 
       São denominados direitos de arena os valores que os clubes têm de repassar aos atletas pelo ganho proveniente dos contratos televisivos. Uma porcentagem do valor obtido com contratos televisivos deve ser destinado aos jogadores que tiveram imagens exibidas na TV.
 
        Em nada têm a ver com o direito de imagem, que se trata de outro tipo de acordo feito entre em ambas as partes.

        O atacante Dagoberto, por exemplo, entrará com processo contra o São Paulo pedindo R$ 2,5 milhões por não recebimento integral dos direitos de arena.

       Pierre acionará a Justiça pedindo R$ 1,5 mi do Palmeiras pelo mesmo motivo. Cleiton Xavier venceu em primeira instância processo em que pede R$ 500 mil ao Palmeiras.

       Denílson, atualmente comentarista da Band (foto), entrou com processo contra o Palmeiras: R$ 600 mil. Por direito de arena, o zagueiro Bruno Aguiar cobra R$ 1 milhão ao Santos.

       O goleiro Felipe está na Justiça pedindo R$ 1,7 milhão ao Corinthians.

       'A gente tinha direito a 20%, mas recebemos 5%. Quem ficou com os 15%? No Corinthians ninguém sabe dizer. O processo está tramitando', declarou o ex-jogador Perdigão, que move processo contra o Corinthians.

 
       A briga acontece porque a legislação previa que 20% do ganho do clube vindo da cota de TV deveria ser repartido entre os jogadores que atuaram. A alteração aconteceu em 1998, na Lei Pelé. Uma nova regulamentação, em 2011, baixou o repasse aos atletas de 20% para 10%.
 
     Os times paulistas se defendem, justificando que firmaram acordos com Sindicato dos Atletas do Estado em que seriam repassados 5% dos direitos de arena. O Sindicato recebe o valor dos clubes e fica encarregado de entregar os 5% aos atletas.
 
     A grande maioria dos processos movidos por jogadores reivindica os 15% que deveriam ter recebido conforme regulamentação anterior.
 
     Advogados de jogadores informam que esse acordo firmado para repasse de 5% entre sindicato e clube é inválido:
 
    “Os sindicatos não fizeram assembleia para ter o apoio dos jogadores e poderes para fazer esse acordo. E se tivesse havido assembleia, esse acordo deveria ter sido feito na Justiça do Trabalho. Nenhum acordo coletivo pode reduzir direitos dos trabalhadores, sem ao menos uma contrapartida. Só houve prejuízos aos jogadores”, explicou Robson de Oliveira, advogado de Leandro “Giannechini”, ex-atleta do São Paulo.
 
     “O atleta que ficou no banco também tem direito aos direitos de arena referente ao jogo exibido na TV. Não há um posicionamento claro dos clubes na questão do pagamento”, diz o advogado Leonardo Laporta, que representa vários atletas na Justiça. 
 
      O UOL Esporte tentou contato durante uma semana com o presidente do Sindicato dos Atletas, Rinaldo Martorelli, para explicar o acordo costurado com os clubes. Mas Martorelli não retornou aos chamados.

O que os grandes paulistas dizem
 
      O Palmeiras informou ao UOL Esporte que não se pronunciará. O departamento jurídico do Santos passa por reformulação e não se pronunciou. O São Paulo alega que cumpriu o acordo feito com o Sindicato dos Atletas (5%).
“O São Paulo faz acordo com os jogadores de acordo com o que o Sindicato dos Jogadores determina. Depois que eles saem, eles entram na Justiça e pedem o valor que é maior do que o combinado. Nós temos êxito na maioria das ações porque temos isso sempre documentado”, disse o departamento jurídico do São Paulo.
 
      O Corinthians endossa o discurso da defesa do São Paulo:
 
      “Quando o atleta é contratado, já conversamos com ele sobre isso [arena], baseado no acordo com o sindicato e homologado pela Justiça. Veja, não foi um acordo feito em uma sala escondida, tem base jurídica. Para nós o acordo é válido. Nas ações que temos, procuramos conversar com os atletas, porque sabemos que é uma coisa polêmica, mas esperamos o Tribunal Superior do Trabalho resolver”, explicou Fernando Abraão, advogado do Corinthians.
 
Risco calculado dos clubes

       Profissionais do direito esportivo entendem que polêmica mostra que os clubes de futebol têm atitudes semelhantes à de muitas empresas que deixam de cumprir com algumas obrigações para com os funcionários sabendo que existe o risco de penalização na Justiça. Mas tudo é calculado.

      “Penso que os clubes fazem como muitas empresas brasileiras na tentativa de fugir de encargos trabalhistas pesados. Eles criam formas de diminuir encargo trabalhistas. O clube pensa assim: ‘Se amanhã ele for à Justiça e ganhar, eu vou pagar o que devo, sem prejuízo, se ele não for, me dou bem’. É um risco calculado”, opinou Gustavo Pires, mestre e professor de direito esportivo e integrante do Instituto Brasileiro de Direito Desportivo.
 
      “Este acordo é visto por muitos juristas como inválido, inclusive pela impossibilidade de renúncia de direitos por parte dos atletas. Por essa razão e entendendo que o valor a que teriam direito os atletas era de 20% e não somente 5%, o Tribunal Superior do Trabalho tem concedido essa diferença aos atletas que ingressam com ações na Justiça do Trabalho”, disse Leonardo Andreotti, diretor do Instituto Brasileiro de Direito Desportivo.
 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Trabalho Infantil no Esporte Clube Cruzeiro

O Cruzeiro foi condenado a pagar indenização de R$ 100 mil, por dano moral coletivo, por contratar menores de 14 anos para treinamento nas categorias de base. A decisão é da 9ª turma do TRT da 3ª região, em ACP ajuizada pelo MPT.

Em 1º grau, a ação foi julgada procedente apenas para determinar que o clube cumprisse obrigações concernentes à contratação de menores, como autorização dos pais, questões de saúde, de documentação e de melhoria nos sanitários.

O MPT recorreu da decisão, argumentando que a relação jurídica mantida pelo clube com os atletas em formação consubstancia relação de trabalho. Pediu ainda que o clube seja proibido de receber nas categorias de base menores com idade inferior a 14 anos, além do afastamento daqueles já admitidos.

A juíza convocada Cristiana Maria Valadares Fenelon, do TRT, entendeu que os menores alojados pelo clube, conquanto recebam benefícios como acompanhamento médico, fisioterápico, odontológico, psicológico, escola e moradia, obrigam-se a treinar com o fim de se aperfeiçoarem na prática do esporte, visando à profissionalização. Segundo ela, "o sucesso de seu desempenho trará vantagem econômica futura para o clube".

A magistrada afirmou que os menores se obrigavam ao treinamento, donde se conclui que a hipótese envolve, sim, vínculo jurídico, atraindo a incidência do artigo 7º, XXXIII, da CF/88, que proíbe "qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos".

De acordo com a decisão, no caso, é certo que os menores acolhidos pelo réu estão inseridos no modo não profissional, o qual pressupõe a ausência da relação de emprego, mas não tem o condão de excluir a relação de trabalho.

Dentre outras determinações, a juíza condenou o Cruzeiro a abster-se de realizar testes de seleção e integrar às suas categorias de base crianças e/ou adolescentes com idade inferior a 14, sob pena de multa diária de R$ 1 mil; afastar de imediato das categorias de base as crianças com idade inferior a 14 anos; reparar pelo dano moral coletivo no importe de R$ 100 mil, em favor do Fundo Estadual para a Infância e Adolescência.

  • Processo: 0165100-65.2009.5.03.0007

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Perda para o futebol feminino

Infelizmente, pouco antes do carnaval, a Liga de Futebol Feminina Americana, que atende pela sigla WPS, declarou que não realizará o Campeonato Nacional em 2012.

A decisão, dizem, foi motivada por problemas legais internos, envolvendo a Liga. De qualquer modo, uma das potências do futebol feminino mundial, anunciou que tem planos de retomar as atividades em 2013.

A melhor jogadora da atualidade, a brasileira Marta, ficou sem clube temporariamente, haja vista que antes da suspensão da competição atuava nos EUA, pelo Western New York Flash.

Hoje porém, o clube sueco Tyresö. Segundo a Revista Placar:

"O acerto veio após muita especulação sobre o futuro da estrela do futebol feminino mundial, com vários clubes da Suécia se interessando por ela. Marta já teve uma longa passagem pelo país nórdico, atuando por seis anos no Umea IK, pelo qual chegou por duas vezes ao segundo lugar da Liga dos Campeões, em 2006/2007 e 2007/2008.

Em sua apresentação, a atleta se emocionou e falou sobre seus objetivos no novo clube e da importância que o país sueco tem em sua vida. ‘O objetivo é vencer a Liga Sueca deste ano e jogar a Liga dos Campeões no ano que vem. Eu me sinto bem na Suécia. Aqui é minha segunda casa e tenho muitas boas memórias deste país’, revelou."

Estamos todos torcendo por você Marta!!

domingo, 5 de junho de 2011

CLUBE DOS 13.

Dirigentes dos 14 clubes que assinaram contrato com a TV Globo para a transmissão do Campeonato Brasileiro entre 2012 e 2015 se reuniram na última terça-feira no Rio de Janeiro, para começar a tratar do futuro do Clube dos 13 após o racha na entidade.
O encontro foi marcado pelo diretor executivo da Globo Esportes, Marcelo Campos Pinto. O jornal O Estado de S. Paulo mostrou a cópia do email com o convite aos representantes dos clubes para a reunião. Na mensagem, fica claro que a própria emissora indicou advogados para tratar assuntos legais com os times.
“Nossos advogados recomendaram o seguinte: como eles estão impedidos de assessorarem os clubes, pois poderá haver algum conflito de interesses entre os clubes e a Globo, indicaram o nome de profissional que não é ligado a eles e tampouco à Globo, para trocar ideias com os jurídicos dos clubes sobre aspectos legais”, diz o email assinado por Marcelo Campos Pinto.
A reunião de terça serviu para definir as estratégias para outro encontro, marcado para o dia 3 de maio, que deverá definir os rumos do Clube dos 13. Os clubes deverão pedir o encerramento do processo de licitação da transmissão do Brasileirão vencido pela RedeTV!.
Os clubes participaram ainda de outra reunião na semana passada, no Rio de Janeiro, com a participação apenas dos representantes jurídicos das agremiações. Segundo o presidente do Santos, Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro, os times não pretendem tirar Fábio Koff do comando do Clube dos 13: “Caminhamos para a convergência”.
NOTÍCIA RETIRADA DO SITE: http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2011/04/27/globo-indica-advogados-aos-clubes-antes-de-reuniao-sobre-futuro-do-c13.jhtm
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